Papo Legal


Entrevista concedida pelo Professor Edmir Perrotti em 03/12/2003 para publicação no Site REBI

PMSBC-SEC 122



Equipe REBI:
A concepção de Biblioteca Escolar Interativa reflete uma mudança dos paradigmas da educação. Como você começou a se interessar por esse tema?

Prof. Edmir Perrotti: Acho que desde o dia em que fui à escola pela primeira vez. Achava muito maçante ficar ouvindo, ouvindo, ouvindo. E olha que sempre tive sorte com professores na escola primária. Não eram pessoas chatas, não. É que buscar conhecimentos, entrar em contato com diferentes pontos de vista é muito mais interessante, fascinante para qualquer idade. Imagine quando se é criança, não é? Como se diz sabiamente, o caminho faz o viajante. Acho que o paradigma transmissivista de educação nunca bateu comigo, não. Desde criança, sempre quis atividade e autonomia de busca, de ação, de pensamento. Insisto. Gostava dos professores do primário, mas para conversar, esclarecer dúvidas, me orientar. Para buscar informações, preferia outros métodos.

Equipe REBI: A questão da interatividade está intimamente ligada aos princípios de autonomia e criticidade. Gostaríamos que você falasse sobre essa relação.

Prof. Edmir Perrotti: Quem leu Monteiro Lobato sabe o que é isso. Ora, a Emília interage, é autônoma e crítica. Não se conformou, por exemplo, em ser boneca. Virou boneca-gente.


É isso: seres da natureza, tornando-nos seres da cultura, atuando, agindo, interagindo, pensando, falando, ouvindo, criticando, assimilando, reelaborando, participando da comunidade humana, criando. Por isso uma biblioteca interativa é um espaço aberto ao diálogo com e por meio do conhecimento, entendido como construção, criação, forma de humanização, de nossa transformação em seres culturais.

Equipe REBI: Você acompanha a REBI desde o seu nascimento, em 1999. Desde então, como tem visto o desenvolvimento de suas idéias iniciais para Bibliotecas Escolares Interativas, que agora estão sendo implantadas em uma Rede que vem crescendo a cada ano?

Prof. Edmir Perrotti: Em primeiro lugar, emocionado. São Bernardo do Campo é
hoje uma referência nacional na área. Pensar que participo dessa criação não é somente uma satisfação intelectual.
É existencial, algo que dá sentido às nossas ações, que faz nosso trabalho transformar-se em obra. Quando você passa vinte anos pesquisando, mas vê o resultado de seu trabalho na sociedade, de fato, concreto, como acontece com a REBI, não há o que pague aquilo que sente.Só posso dizer que é uma felicidade ter-me encontrado com uma cidade que tem história que São Bernardo do Campo tem, bem como com pessoas que construíram e tornaram possível tal projeto, único no país.

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