
Equipe REBI:
A concepção de Biblioteca Escolar Interativa reflete uma mudança dos
paradigmas da educação. Como você começou a se interessar por esse
tema?
Prof. Edmir Perrotti: Acho que desde o
dia em que fui à escola pela primeira vez. Achava muito maçante ficar
ouvindo, ouvindo, ouvindo. E olha que sempre tive sorte com professores
na escola primária. Não eram pessoas chatas, não. É que buscar conhecimentos,
entrar em contato com diferentes pontos de vista é muito mais interessante,
fascinante para qualquer idade. Imagine quando se é criança, não é?
Como se diz sabiamente, o caminho faz o viajante. Acho que o paradigma
transmissivista de educação nunca bateu comigo, não. Desde criança,
sempre quis atividade e autonomia de busca, de ação, de pensamento.
Insisto. Gostava dos professores do primário, mas para conversar,
esclarecer dúvidas, me orientar. Para buscar informações, preferia
outros métodos.
Equipe REBI: A questão da interatividade está intimamente
ligada aos princípios de autonomia e criticidade. Gostaríamos que
você falasse sobre essa relação.
Prof. Edmir Perrotti: Quem leu Monteiro Lobato sabe
o que é isso. Ora, a Emília interage, é autônoma e crítica. Não se
conformou, por exemplo, em ser boneca. Virou boneca-gente.
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É isso: seres da natureza, tornando-nos seres da cultura, atuando,
agindo, interagindo, pensando, falando, ouvindo, criticando, assimilando,
reelaborando, participando da comunidade humana, criando. Por isso
uma biblioteca interativa é um espaço aberto ao diálogo com e por
meio do conhecimento, entendido como construção, criação, forma de
humanização, de nossa transformação em seres culturais.
Equipe
REBI: Você acompanha a REBI desde o seu nascimento, em 1999.
Desde então, como tem visto o desenvolvimento de suas idéias iniciais
para Bibliotecas Escolares Interativas, que agora estão sendo implantadas
em uma Rede que vem crescendo a cada ano?
Prof. Edmir Perrotti: Em primeiro lugar, emocionado.
São Bernardo do Campo é
hoje uma referência nacional na área. Pensar que participo dessa criação
não é somente uma satisfação intelectual.
É existencial, algo que dá sentido às nossas ações, que faz nosso
trabalho transformar-se em obra. Quando você passa vinte anos pesquisando,
mas vê o resultado de seu trabalho na sociedade, de fato, concreto,
como acontece com a REBI, não há o que pague aquilo que sente.Só posso
dizer que é uma felicidade ter-me encontrado com uma cidade que tem
história que São Bernardo do Campo tem, bem como com pessoas que construíram
e tornaram possível tal projeto, único no país.
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