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Dengue tem queda expressiva em São Bernardo

Dengue tem queda expressiva em São Bernardo

08 de Ago de 2016 Illenia Negrin
Resultado se deve ao trabalho de prevenção realizado pela Secretaria de Saúde, iniciado ainda durante o inverno

Os números da dengue tiveram queda expressiva em São Bernardo no comparativo entre janeiro a julho deste ano e de 2015. O resultado se deve ao trabalho de prevenção realizado pela Secretaria de Saúde, iniciado ainda durante o inverno, que incluiu intensificação de visitas domiciliares e ampla campanha de divulgação sobre os riscos da contaminação pelo mosquito aedes aegypti, também transmissor da febre chikungunya e do zika vírus.

Nos sete primeiros meses do ano foram notificados 3.817 casos suspeitos de dengue, contra 10.116 no mesmo período de 2015, o que representa diminuição de 63%. O número de casos autóctones – contraídos na própria cidade – também caiu. Até agora, foram confirmados 512; de janeiro a julho de 2015 foram 2.819.

A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Candida Rosa Alves, explica que outros 588 casos aguardam análise, e que o processo ainda não foi concluído porque a grande maioria das confirmações tem sido feita pelo município com base em dados clínicos do paciente e também epidemiológicos. O Instituto Aldolfo Lutz, responsável por analisar as amostras de sangue coletadas no SUS de pacientes com o sintoma da doença, não realiza os exames desde o início do ano alegando falta de material para a sorologia.

“O processo de confirmação tem sido mais demorado. Verificamos se os sintomas relatados são compatíveis com a descrição da doença, avaliamos o hemograma do paciente e cruzamos essas informações com os dados obtidos pelas equipes do Centro de Controle de Zoonoses. Eles analisam os locais de moradia, trabalho e estudo dessa pessoa e observam se há larvas do mosquito ou outros casos suspeitos relatados tanto nesses endereços quanto no entorno”, detalha.

Candida acredita que os bons resultados serão confirmados, a exemplo das estatísticas do Estado e do País, que também apontam tendência de queda no número de casos de dengue. Para ela, a mobilização da população em eliminar os possíveis focos do mosquito foi maior no último verão, impulsionada pela provável relação entre o zika vírus e a microcefalia em bebês. “Sem a colaboração maciça dos moradores isso não seria possível, uma vez que 80% dos criadouros do aedes aegypti estão dentro das residências. O trabalho contínuo realizado pelo CCZ é fundamental para manter a população em alerta”, avalia.

Em 2015, São Bernardo registrou total de 2.831 casos confirmados de dengue. Para evitar que a situação se repetisse em 2016, o CCZ intensificou em agosto as visitas domiciliares, prática que tradicionalmente ocorre a partir de novembro. A estratégia deu certo e já está sendo repetida neste ano. De olho no verão de 2017, os agentes de controle de endemias iniciaram dia 1º o trabalho casa a casa nos bairros que registraram o maior número de casos de dengue no primeiro semestre, como Alvarenga, Montanhão, parte do Assunção e Vila São Pedro. O objetivo é eliminar o maior número possível de criadouros do aedes aegypti antes do período de chuvas.

“A intensificação a partir de agosto se mostrou muito eficaz. Mas é importante salientar que o trabalho é realizado o ano todo, e inclui não só os agentes do CCZ, mas também os agentes comunitários de saúde”, ressalta a coordenadora do Controle de Dengue, Ericka Avibar.

A rotina inclui as ações de bloqueio, que consistem na vistoria e eliminação de focos do mosquito nas residências (e entorno) de usuários com suspeita de dengue. E também o monitoramento regular de centenas de locais espalhados pela cidade. Entre eles, há os chamados imóveis especiais, onde há grande circulação de pessoas e, portanto, grande capacidade para a dispersão do vírus. São, ao todo, 311 endereços, entre UBSs, UPAs e escolas municipais e estaduais.

Os agentes ainda realizam checagem frequente em outros 45 pontos classificados como estratégicos, estabelecimentos com potencial para acumular água parada, como borracharias, transportadoras, desmanches, depósitos de recicláveis e sucata, e cemitérios. Os piscinões e obras realizadas pela Prefeitura também são monitorados.