Fundada em Turim, na Itália, em meados do século XIX, a fábrica de bebidas Martini & Rossi se internacionalizou em poucas décadas. Em 1865, começou a exportar seus produtos e, tempos depois, abriria filiais nas cidades de Buenos Aires (1884), Genebra (1886) e Barcelona (1893) (1). No início do século XX, seus produtos já eram bem vendidos em mercados de diversos países, entre eles o Brasil, onde, desde pelo menos a década de 1890 (2), importadores de casas comerciais do Rio, São Paulo, Manaus e Pernambuco já comercializavam seu vermute.

Não obstante, o alcance dos produtos da empresa no Brasil daria um grande salto a partir de 1950, com o estabelecimento da firma no país, onde funcionou primeiramente no Bairro da Aclimação, em São Paulo. Com o italiano Francesco Reti (3) à frente, a Martini se expandiu rapidamente, tendo ampliado em pelo menos treze vezes o capital investido entre 1950 e 1962 (4), período no qual abriu filiais em Pernambuco e no Rio de Janeiro e inaugurou, em 1958, uma planta maior em São Bernardo, para onde sua sede foi transferida quatro anos depois (5). Na cidade, a empresa se estabeleceu no Bairro Rudge Ramos, em um grande terreno de 51,8 mil m² perto do Km 15 da Via Anchieta, parte dentro do loteamento do Parque São Pedro e parte dentro da área vizinha que antes pertencia a Angelo Milanesi.

No início dos anos 1960, a Martini não apenas produzia e comercializava no país a sua tradicional linha de vermutes (branco, tinto, Dry Martini), mas também bebidas criadas e desenvolvidas por outras empresas e fabricadas aqui sob licença por ela, como os whiskys Hallmark e Queens Crown, a vodka Eristow, o licor Strega, o gim Boths e o conhaque São Raphael. Somente a fábrica de São Bernardo engarrafava, em 1973, 12 mil litros por hora, de 7 marcas diferentes (6). Para a divulgação de todos esses produtos, considerável investimento era feito em publicidade em TV, rádio, revistas de circulação nacional (como Manchete, O Cruzeiro e Veja) e também em publicidade de rua, notadamente em outdoors em pontos centrais de grandes cidades.

Apesar da instabilidade econômica do país nos anos seguintes, à qual o mercado de bebidas é especialmente sensível, a empresa ampliou seu leque produtivo. Em 1988, a fábrica de São Bernardo produzia, além do vermute e suas versões - carro-chefe que detinha 40% das vendas - outras nove marcas de bebidas manufaturadas sob licença (7). Também tinham entrado no mercado de vinhos, já possuindo uma vinícola em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, de onde produziam as marcas Chateau Duvalier, Baron de Lantier, Zahringers e os espumantes De Greville e Asti Martini.

Com a aquisição mundial da Martini & Rossi pelo Grupo Bacardi, em 1992, a empresa no Brasil passou, sob o nome de Bacardi-Martini, a produzir também o rum de seus novos donos. Em 1999, a fábrica de São Bernardo fazia anualmente 5 milhões de garrafas de rum Bacardi, embora seu principal produto ainda fosse o vermute, com uma produção anual de 10 milhões de garrafas (8). A unidade tinha na época 80 funcionários e operava com 50% da capacidade instalada, possuindo para o processamento das bebidas 55 tanques com capacidade entre 100 mil e 500 mil litros, e câmara frigorífica para estabilização com quatro tanques de 100 mil litros. Seus galpões possuíam capacidade para armazenar 400 mil caixas de bebidas. Tinham ainda cinco poços artesianos, que atingiam 284 metros abaixo do solo.

A Bacardi-Martini ficaria em São Bernardo até 2016, quando, diante de um quadro de queda nas vendas e necessidade de cortes de custos, a direção da empresa resolveu encerrar as atividades da unidade. Parte de suas linhas de produtos passaram a ser importadas e outra parte foi direcionada para a unidade de Recife, ainda em funcionamento (9).

 

Nas imagens, vemos, na parte superior, a fachada da antiga unidade da indústria Martini & Rossi  que situava-se na Av. Caminho do Mar (Rudge Ramos), em 2008. Abaixo, vista interna da mesma indústria em 1998, durante visita do então prefeito Maurício Soares e de sua esposa Laerte Soares. 

 

 

Notas:

(1) - Martini & Rossi History. Site fundinguniverse.com
(2) - Bersagliere n. 264, 1891; Comércio do Amazonas n. 275, 1898; Comércio de São Paulo n. 743, 1895; Diário de Pernambuco n. 62, 1890.
(3) - Diário Oficial do Estado de São Paulo, 19-10-1950.
(4) - Ficha Cadastral da Martini Rossi na Junta Comercial do Estado de São Paulo; considerando os valores corrigidos pelo IPC-SP (FIPE).
(5) - Idem; Diário Oficial do Estado de São Paulo, 15-10-1958.
(6) - Revista Manchete, edição 1089, ano 1973.
(7) - Diário do Grande ABC, 18-01-1988.
(8) - Revista Livre Mercado, 112, julho de 1999.
(9) - Diário do Grande ABC, 15-10-2015.

 

 

 

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