DE APRENDIZ A DONO DE TAPEÇARIA: O CRESCIMENTO DO ITALIANO GIORDANO ZANON

 

 

Giordano Zanon ainda era um adolescente de 15 anos quando seus pais, Luigi e Ernesta, decidiram deixar a pequena comuna de Ronchi dei Legionari, localizada no nordeste da Itália, junto com Bruna e Luciana, suas irmãs mais novas. Muito mais do que tentar a sorte em um novo país, a família saiu às pressas, pelo porto de Gênova, na intenção de escapar de um novo conflito armado que se avizinhava com a antiga Iugoslávia.

 

Após dias e dias de viagem, a família aportou em terras brasileiras, em abril de 1954, e subiu a serra em direção a São Bernardo do Campo, onde foram recepcionados pelos nonni e zii (avós e tios), que já moravam por aqui desde o início da década de 1920. Nesta época, o governo italiano financiava a viagem dos imigrantes, desde que houvesse algum responsável por eles no Brasil.

 

Desde cedo, o jovem Giordano soube aproveitar as oportunidades oferecidas pela cidade que o acolheu. Poucas semanas após a chegada, conseguiu emprego como aprendiz de tapeceiro numa fábrica de colchões e, a partir daí, não parou mais. Passou por outras fábricas moveleiras, montadoras de automóveis, até fundar a sua própria empresa de tapeçaria. Nesta época já estava casado com dona Elvira, com quem teve cinco filhos e sete netos.

 

Enquanto a vida profissional seguia sem maiores percalços, na mesma medida crescia o envolvimento de Giordano com a comunidade italiana local, onde tornou-se uma figura de destaque graças a sua atuação em diversas atividades e projetos, entre eles o Coral San Pio X, formado apenas por jovens italianos; a conquista da Missa Italiana, rezada em latim todos os domingos na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem - mais conhecida como Igreja da Matriz; o tradicional Coral Bicchieri D’Oro, do qual é membro desde 1993; as famosas Conversas de Memórias; e tantas outras coisas que acabaram contribuindo para que fosse agraciado com a Medalha João Ramalho.

 

Nem o incêndio que destruiu sua empresa, em meados de 1986, foi capaz de abalar a paixão de Giordano pela cidade. O prédio foi reconstruído no ano seguinte, por vontade e esforço de toda a família e dos amigos que fez nestes 71 anos de raízes fincadas nesta cidade, pela qual nutre um sentimento eterno de gratidão por tudo o que conquistou.