DA CALMARIA DOS AÇORES PARA AS RUAS DE SBC: O PORTUGUÊS QUE VIROU SUCESSO NAS FEIRAS LIVRES DA CIDADE

Quanto tempo é necessário para mudar as perspectivas de vida de uma pessoa e projetar dias melhores no horizonte? No caso dos pais do menino Álvaro, Eduino de Medeiros Borges e Odilia Raposo de Sousa, foram exatos 14 dias, tempo que o navio Serpa Pinto levou para cruzar o Atlântico, saindo do porto da Ilha da Madeira até a costa brasileira.
Álvaro de Sousa Borges, nascido em 1944, em São Miguel, maior ilha do arquipélago português dos Açores, tinha, à época da aventura marítima, por volta de cinco anos. Desembarcaram no Porto de Santos e seguiram para a Lapa, bairro localizado na zona oeste da capital paulista. Assim como diversas outras famílias que deixaram o continente europeu, devastado por seguidas guerras, chegaram cheios de esperança em uma terra que prometia oportunidades e melhores condições de vida.
E a busca de Álvaro por estes objetivos teve início bem cedo. Aos 10 anos começou a trabalhar como ajudante de padaria, entregando pão e leite de porta em porta no Alto da Lapa. Trabalhou ainda na fabricação de porcas e parafusos, entregando caixas de fósforo Granada em comércios da região e fazendo aterro e desaterro com seu pai, no velho Ford 1946.
A vida da família tomou um novo rumo quando deixaram para trás a agitação de um dos maiores bairros paulistanos e vieram para a então pacata Vila Euclides e por aqui se estabeleceram como feirantes, comercializando cortes de frango na conhecida Barraca do Bidu, que continua em atividade até os dias de hoje. Graças ao trabalho como feirante, Sr. Álvaro fincou raízes por aqui e constituiu uma família linda e tão trabalhadora quanto ele. Em 1968, casou-se com Suely Pagotto Borges, com quem teve um filho, que herdou a vocação do pai para o comércio, trabalhando com o pai na barraca. Claudio Borges, por sua vez, deu ao Sr. Álvaro uma nora e um casal de netos, que brevemente se tornarão engenheiro e advogada.
Álvaro Borges é daquelas pessoas que nasceu para fazer o que faz e ama o seu ofício. O contato direto com o público lhe dá o ânimo necessário para levantar cedo da cama todos os dias. É daqueles que aprecia uma boa conversa com os clientes, que gosta de brincar com quem vai conferir seus produtos e que chega a ter um certo grau de amizade com fregueses mais assíduos. E como todo feirante que se preze, Sr. Álvaro é daqueles que cuidam da garganta para disputar a freguesia no grito: “Aqui é tudo fresquinho..., tudo de primeira...”


