ORIGENS DO MIZUHO: PEDACINHO DO JAPÃO E DA FAMÍLIA INOUE NA CIDADE

Das plantações de hortaliças às festas tradicionais, as marcas indeléveis deixadas pelos imigrantes japoneses estão impregnadas no DNA de São Bernardo. E quanto a isso, não há dúvidas, a comunidade nipônica desempenhou papel significativo na construção da identidade de nossa cidade, especialmente na formação social, econômica e cultural, ao longo do século XX, e um dos marcos dessa presença é o bairro Mizuho.
Mizuho é um nome simbólico, que em japonês remete à espiga de arroz madura ou campo fértil, uma homenagem à atividade agrícola. No início, o bairro era praticamente uma colônia japonesa, com escolas, templos e práticas culturais preservadas. Das dez famílias que se reuniram para fundar o pequeno povoado, certamente um dos nomes mais emblemáticos seja o de Kiyuji Inoue, que chegou ao Brasil no final da década de 1920, vindo de Yamaguchi, cidade localizada na região de Chūgoku.
Uma boa parte dos momentos e das histórias vividas na Colônia Mizuho ainda estão frescas na memória de Francisco Inoue, um dos sete filhos nascidos da união entre Kiyuji e Aiko Inoue. Nas conversas ao redor da mesa farta, recorda-se da voz tranquila e pausada do pai contando que os primeiros recursos que tiveram vieram do carvão, produzido em fornos de barro construídos pelos colonos, que precisaram derrubar as árvores para poder plantar. Em seguida vieram as lavouras de hortaliças e legumes, comercializados nas feiras; a criação de bovinos, aves e suínos, que forneciam leite e carne para consumo e venda, até o surgimento de diversas granjas, que alavancaram o crescimento da região e se tornaram a principal fonte de renda dos moradores locais.
Foi neste ambiente marcado pelo trabalho duro e respeito às tradições culturais que Francisco nasceu, cresceu, estudou, trabalhou e constituiu sua própria família. Do Sr. Kiyuji, herdou a vocação para o trabalho e empreendedorismo, que o ajudaram a se tornar um dos principais fotógrafos especializados na elaboração de catálogos, especialmente para a então proeminente indústria moveleira da cidade. Já dos conterrâneos do Mizuho, absorveu a paixão pelas festas típicas e tradicionais, como o undokai, e pelo karaokê, atividade que o levou a disputar competições pelo Brasil todo.
Aos 80 anos, Francisco aguarda a chegada do primeiro neto como quem espera a primavera — pronto para semear as memórias de Kiyuji e Aiko e ver brotar, em outra geração, a continuidade de tudo o que viveu.


